LIFE para Socorro e Desenvolvimento no Líbano:A crise humanitária se agrava enquanto mais de um milhão de pessoas continuam deslocadas e milhares de famílias enfrentam fome e falta de moradia

Internacional

Milhares de famílias libanesas continuam sofrendo as consequências de uma crise humanitária cada vez mais grave, apesar do cessar-fogo anunciado. De acordo com os relatórios mais recentes publicados pelas Nações Unidas e por organizações internacionais, o número de deslocados internos (IDPs) ultrapassou 1,049 milhão de pessoas, enquanto mais de 130 mil deslocados encontram-se atualmente abrigados em 632 centros coletivos em todo o Líbano. Crescem as preocupações com a superlotação desses abrigos e a redução de sua capacidade para acolher as pessoas necessitadas.

Dados oficiais da área da saúde indicam que 3.433 pessoas morreram e 10.395 ficaram feridas desde a escalada das hostilidades em março. As crianças representam aproximadamente 9% do total de vítimas, enquanto as mulheres correspondem a 12%.

Os ataques contra instalações e serviços de saúde continuam sendo registrados. Até 1º de junho, foram documentados 190 ataques ao setor da saúde, que resultaram na morte de 128 pessoas e em 332 feridos.

O Líbano já enfrentava uma grave crise econômica, com aumento da pobreza e os impactos duradouros da explosão no Porto de Beirute, levando inúmeras famílias à beira do colapso financeiro. A mais recente onda de violência agravou ainda mais essa situação, obrigando muitas famílias a escolher entre comprar alimentos, adquirir medicamentos, pagar o aluguel ou atender a outras necessidades básicas.

Uma ampla resposta humanitária diante de crises sucessivas

Em resposta a esses desafios, a LIFE para Socorro e Desenvolvimento ampliou, ao longo do ano, seus programas humanitários de emergência. A organização intensificou a oferta de abrigos temporários e tendas, além de distribuir cestas básicas, refeições prontas, serviços de saúde, kits de higiene, assistência habitacional e itens essenciais para bebês. Milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade afetadas pela crise foram beneficiadas, especialmente nas regiões mais atingidas de Trípoli, Akkar e Tiro.

O engenheiro Mohammed Al-Sharif, coordenador do escritório da LIFE no Líbano, destacou que a dimensão das atuais necessidades humanitárias vai muito além da assistência emergencial, exigindo apoio sustentável que permita às comunidades locais se recuperarem e reconstruírem suas vidas.

Segundo ele, para muitas famílias libanesas, o cessar-fogo ainda não se traduziu em melhorias concretas no cotidiano. As comunidades afetadas continuam enfrentando deslocamento, aumento do custo de vida, infraestrutura danificada e um agravamento das condições econômicas e sociais.

“As famílias libanesas enfrentam pressões econômicas cada vez maiores”, afirmou Al-Sharif. “O preço do pão aumentou 12% nos últimos meses, enquanto os preços dos combustíveis subiram cerca de 84% desde meados de fevereiro. Esses aumentos elevaram significativamente os custos de transporte e produção, reduzindo ainda mais o poder de compra das famílias.”

Um milhão de deslocados e 632 abrigos sob pressão

Al-Sharif ressaltou que as contribuições beneficentes e as doações humanitárias continuam desempenhando um papel essencial na oferta de assistência alimentar, cuidados de saúde, apoio habitacional e suprimentos básicos às famílias afetadas. Esses esforços ajudam a restaurar a estabilidade, a dignidade e a esperança para milhares de lares libaneses. No entanto, amplos setores da população continuam enfrentando desafios econômicos, sociais e de segurança que exigem assistência humanitária contínua e iniciativas de recuperação de longo prazo.

Ao abordar a situação do sistema de saúde, ele acrescentou:

“Os ataques repetidos danificaram 17 hospitais, provocaram o fechamento total de três hospitais e interromperam o funcionamento de 42 centros de atenção primária à saúde. As instituições de saúde também enfrentam escassez crescente de medicamentos e insumos médicos essenciais, colocando em risco a continuidade dos serviços, especialmente para pacientes com doenças crônicas, gestantes e crianças.

Como organizações humanitárias, continuamos enfrentando deslocamentos constantes causados pelos ataques aéreos e pelas ordens de evacuação. Ao mesmo tempo, o retorno dos deslocados às suas comunidades permanece limitado devido à infraestrutura destruída, às residências danificadas e aos persistentes riscos à segurança. As comunidades anfitriãs também estão sob crescente pressão ao acolher um grande número de famílias deslocadas.”

Tasneem Elridi/Foto: Divulgação