
Presidente afirma que crise provocada pelo caso Banco Master exige debate sobre reforma do Judiciário e diz que relações de Daniel Vorcaro alcançaram integrantes do STF, deputados e senadores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (18) que o Brasil terá que discutir como “consertar a Suprema Corte” diante das revelações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. A declaração foi feita em entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, na qual Lula também defendeu uma reforma mais ampla do Poder Judiciário.
“Eu me preocupo porque nós vamos ter que discutir como é que a gente vai consertar isso. Como é que a gente vai consertar a Suprema Corte?”, questionou Lula. O presidente acrescentou que pretende rediscutir o funcionamento do Judiciário, mas afirmou que, antes de uma eventual reforma, será necessário enfrentar os problemas revelados pelas investigações do Master.
Lula afirmou que Daniel Vorcaro estabeleceu relações com diferentes setores do poder em Brasília. “Ele envolveu gente da Suprema Corte, envolveu deputado, envolveu senador, envolveu todo mundo”, declarou. O presidente também disse que há ministros do STF ligados “direta ou indiretamente” ao caso, sem apresentar, nesse trecho da entrevista, elementos que comprovassem todas as relações mencionadas.
“Eles criaram um banqueiro e eu o tornei prisioneiro”
Na entrevista, Lula responsabilizou o governo de Jair Bolsonaro pela ascensão do Banco Master e afirmou considerar o episódio “o maior escândalo econômico de corrupção da história do Brasil”.
“Eles criaram um banqueiro e eu o tornei prisioneiro”, disse Lula. Segundo o presidente, o Master se transformou em banco durante o governo Bolsonaro, enquanto Vorcaro acabou preso durante sua administração. O Banco Master obteve autorização do Banco Central para operar em outubro de 2019, quando Roberto Campos Neto presidia a autoridade monetária.
Lula também relacionou o episódio às fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Segundo ele, o esquema teria retirado quase R$ 4 bilhões dos beneficiários, enquanto seu governo devolveu os recursos desviados e apreendeu bilhões de reais em patrimônio dos investigados. As afirmações sobre a responsabilidade política pelo esquema fazem parte da acusação apresentada pelo presidente contra seus adversários.
Lula fala em ligações com milícias
Ao tratar da segurança pública no Rio de Janeiro, Lula também fez acusações contra adversários políticos. O presidente afirmou haver “um candidato a presidente que é ligado aos milicianos aqui no Rio” e declarou que integrantes da família Bolsonaro teriam relações com milicianos. Lula não apresentou, durante essa passagem da entrevista, novas provas para sustentar a acusação.
O presidente disse lamentar a situação da segurança pública no estado e afirmou que o Rio possui enorme potencial econômico, turístico e cultural, mas sofre com a presença de organizações criminosas em diferentes territórios.
Lula defendeu uma estratégia baseada no fortalecimento da presença do Estado e das forças policiais, no bloqueio da logística financeira e operacional das organizações criminosas e na retomada de áreas dominadas por facções e milícias.
O presidente voltou a defender a criação do Ministério da Segurança Pública depois da aprovação da PEC da Segurança e sustentou que União, estados e municípios precisam atuar de maneira coordenada no combate ao crime organizado.
Combate ao feminicídio
Outro tema abordado foi a violência contra as mulheres. Lula destacou o crescimento das denúncias feitas por meio do Disque 180 e defendeu punições mais rigorosas para autores de feminicídio e violência doméstica.
Segundo o presidente, o enfrentamento do problema também precisa ocorrer por meio da educação, com políticas voltadas à igualdade entre homens e mulheres e à mudança de padrões culturais que naturalizam a violência de gênero.
Hospitais federais e educação
Lula também falou sobre a situação dos hospitais federais no Rio de Janeiro. Segundo ele, unidades que estavam em situação de abandono passaram por um processo de recuperação, com crescimento do número de atendimentos e cirurgias e ampliação do acesso a medicamentos e tratamentos como radioterapia.
Na educação, o presidente defendeu a expansão da rede de institutos federais e da formação técnica. Lula afirmou que o Brasil precisa preparar uma nova geração de profissionais para áreas consideradas estratégicas, entre elas inteligência artificial, novas tecnologias e exploração e processamento de minerais críticos e terras raras.
Para Lula, investimentos em educação, saúde e segurança precisam fazer parte de uma mesma estratégia de fortalecimento do Estado. Ao tratar especificamente do Banco Master e da crise no Supremo, porém, o presidente indicou que o debate sobre mudanças institucionais no Judiciário deverá ganhar espaço na agenda política: “Como é que a gente vai consertar a Suprema Corte?”
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