
A votação recorde de Jerônimo Rodrigues em Juazeiro mostra que o eleitor compreendeu uma mensagem repetida pelo prefeito Andrei Gonçalves por toda a cidade. Era preciso colocar Juazeiro em primeiro lugar, acima das paixões, das ideologias e dos interesses particulares.
Essa ideia tinha base nos fatos. As obras do governo do estado já entregues indicavam que a continuidade do governador era a melhor garantia para o que está em andamento e para o que deve começar nos próximos dias.
A nova orla, as estradas rurais em obras em vários distritos, o CER IV, o Convive, a UPA 3, as novas UBS e escolas, entre outras ações, correriam o risco de ficar no papel caso ACM Neto vencesse. Não se trata de acusar o ex-prefeito de Salvador. Sabemos que, na política brasileira, abandonar os projetos de quem veio antes faz parte de uma cultura lamentável.
Resta saber o que nos espera na eleição presidencial. Lula continua sendo um fenômeno eleitoral, mas perdeu votos em Juazeiro em relação ao pleito anterior. Cabe, então, uma pergunta ao eleitor. Que garantia existe de que Flávio Bolsonaro, se eleito, levaria adiante as obras dos riachos e canais, hoje em fase de licitação? E os projetos do Minha Casa, Minha Vida, o Canal do Sertão, a hidrovia do São Francisco?
A ex-presidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), anunciou uma proposta de corte de gastos equivalente a 1,5% do PIB a partir de 2027. Batizada de “Tesouraço”, a medida integra o plano econômico do candidato para o segundo turno. Considerando o PIB previsto para 2027, o corte chegaria a cerca de R$ 220 bilhões, valor que alcançaria inclusive despesas com saúde e educação.
Num cenário assim, dificilmente haveria espaço para novos investimentos como os que o atual governo vem contratando. A obra dos riachos e canais e as demais conquistas do Novo PAC resistiriam a esse tesouraço? Essa aposta vale a pena para Juazeiro? Não seria a hora de repetir o apelo recente e colocar, mais uma vez, a cidade em primeiro lugar?
As paixões ideológicas têm impedido muita gente de fazer o gesto simples de ouvir o contraditório e refletir. Neste momento, quem mais precisa dessa reflexão é Juazeiro.
Prof. Luiz Antonio Costa de Santana, MS.C, Ph.D.
Doutor em Direito (UNLZ)
Doutor em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (UNEB)
Mestre em Dinâmicas do Desenvolvimento do Semiárido (Univasf)
Professor Adjunto da Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf
Professor Adjunto da da Universidade do Estado da Bahia – UNEB
Advogado

