Crônica: O bairro lunar

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Com a crescente taxa de natalidade, o prefeito de uma pequena cidade resolve formular uma estratégia para que os futuros cidadãos tivessem uma condição digna para conseguirem seu pedacinho de chão, pois sabia-se das dificuldades de moradias que afetavam todo país.

O problema era que na cidade nada poderia ser feito para o bem-estar dos recém-nascidos objetivando o futuro habitacional, a verba era pouca (nada mesmo) e o que poderia ser investido seria apenas nas obras eleitoreiras.

O negócio era arrumar outra estratégia para que no futuro, os conterrâneos pudessem desfrutar do conforto que um nobre bairro poderia dispor.

Foi então convocada uma reunião entre os assessores para que uma brilhante ideia fosse colocada em pauta.

E eis que dentre muitas ideias estapafúrdias surgiu a mais estapafúrdias de todas, e é claro, foi a aceita por unanimidade:

— Vamos vender lotes na lua. Dessa forma, os cidadãos poderão desfrutar de uma vasta terra ainda indesfrutável, além de ser cômodo para o prefeito que ganharia pontos para a próxima eleição, além de encher os cofres e os bolsos.

A população foi convocada para um leilão dos lotes lunares, e o prefeito com seu martelo de bater carne pedia pelos lances. Mas os moradores não estavam entendendo como seria possível alguém ir morar na lua. E o prefeito teve que responder as perguntas de seu confuso povo:

Como fazer para chegarmos na lua?

— É simples! Entramos em contato com a NASA e firmamos um contrato de locação de espaçonaves que estão à disposição no Cabo Canaveral.

Mas como iremos viver na lua, existe infraestrutura?

— Claro que sim!  Começaremos a construir as casas no bairro chamado São Jorge, a luz elétrica será puxada por uma grande extensão que sairá da Terra, o esgoto será canalizado para o espaço sideral e a água não será problema por que lá não tem dia e ninguém fica com sede.

Mas como saberemos que seremos os únicos a morar na lua, como saber que não estaremos invadindo um território alheio?

— Caro colega, de noite ao olhar para lua verá que ela está virada para nossa cidade. Então! Tudo o que está dentro de nossos limites nos pertencem.

A população satisfeita com aquelas explanações começa com os lances e em menos de duas horas de leilão, se esgotaram todos os lotes colocados à venda.

O problema seria depois pagar as seiscentas prestações e o IPTU, que seria cobrado não pela extensão dos lotes, mas pela extensão da distância do lote em relação à cidade.

Dias desses, foi ouvida uma conversa de que, com o sucesso das vendas de lotes na lua, o prefeito estava pensando em colocar à venda lotes em Marte.

E já existe muita gente interessada.

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2022 relançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores, disponível na Amazon, Americanas.com, Estante Virtual e Submarino.

Por Rodrigo Alves de Carvalho

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