HU-Univasf é referência para atendimento de urgência em casos de acidentes com animais peçonhentos

Cidades Petrolina

Especialistas reforçam as precauções necessárias e a necessidade de procura imediata pelo serviço de saúde.

O Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf), vinculado à Rede HU Brasil, é a unidade de referência para os atendimentos em casos de acidentes com animais peçonhentos, a exemplo de aranhas, lagartas venenosas e cobras. De janeiro a dezembro de 2025, o HU-Univasf atendeu 139 pessoas envolvidas nesse tipo de acidente, tendo registrado dois óbitos decorrentes de picada de cobra. Já em 2026, no primeiro trimestre, 27 pessoas passaram pela urgência do hospital infectadas pela picada de aranhas, escorpiões, serpentes e lacraias.

Para esses atendimentos, o HU-Univasf/HU Brasil conta com imunobiológicos, ou seja, medicamentos que atuam para inutilizar a ação tóxica do veneno. Quando se trata de aranhas, é utilizado o soro antiaracnídico, que neutraliza o veneno de espécies como aranhas-marrom e armadeiras. Em acidentes com lagartas venenosas, a exemplo de taturanas, usa-se o soro antilonômico, e o soro antiofídico quando a ocorrência é com cobras do tipo cascavéis, corais, jararacas e/ou demais espécies.  

Daniely Figueiredo, chefe da Unidade de Vigilância em Saúde do HU-Univasf/HU Brasil, explica que o atendimento é destinado a pessoas adultas, já que o serviço pediátrico é referenciado para outra instituição. A profissional destaca que é fundamental a procura imediata pelo serviço de urgência. “O ideal é não movimentar o membro e se dirigir à unidade de saúde o mais rapidamente possível. Em relação aos cuidados, apenas lavar com água e sabão, não precisa torniquete, pois o que vai inibir a ação da toxina injetada pelo animal é o soro utilizado aqui no atendimento de emergência”, alerta.

Em acidente com picada de escorpião em adultos, não há necessidade de um tratamento com soro, mas é importante procurar o serviço de saúde, como explica Daniely. “No adulto, o tratamento é sintomático. Então é importante ter atenção a sinais como dor e edema. Por isso, deve-se procurar uma unidade básica de saúde ou uma UPA”, acrescenta.   

Acidentes com cobras

Leonardo Ribeiro, biólogo e professor do Colegiado de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) chama atenção para o fato de o período pós chuva, na caatinga, gerar um trânsito maior de serpentes. “Após o período chuvoso, há maior oferta de água e alimento e a vegetação está mais alta. Isso faz com que serpentes busquem pequenos vertebrados, como roedores e lagartos, que servem de alimento para elas”, pontua.

O especialista chama atenção também para a necessidade de uso de equipamentos de proteção individual (EPI), já que é no ambiente rural que esses acidentes costumam acontecer. Portanto, uso de botas, perneiras e luvas adequadas são fundamentais para quem trabalha no campo ou em áreas próximas que necessitem desses instrumentos. “Importante também nunca pegar numa serpente, mesmo que ela pareça estar morta. Evitar também acúmulo de entulho ou materiais empilhados nas proximidades das casas, pois é um dos motivos que pode atrair animais que servem de alimento para cobras”, alerta Leonardo.

Como parte do ecossistema, as serpentes são animais importantes no equilíbrio da natureza e da cadeia alimentar. Leonardo Ribeiro alerta para a importância da preservação do ambiente natural e desses animais, pois são importantes no controle populacional, por exemplo, de roedores, que podem transmitir doenças para humanos. Para saber um pouco mais sobre as serpentes encontradas na caatinga é possível acessar a cartilha “Serpentes Peçonhentas do Semiárido – reconhecimento, prevenção e procedimentos em casos de acidentes”, disponível neste link: https://drive.google.com/file/d/1c48utzVt-4WVh4kDPpccyfACtcMFl423/view.   

Capacitação para público interno

Com o objetivo de aperfeiçoar os fluxos de atendimento de urgência e emergência nos casos de acidentes com animais peçonhentos, o HU-Univasf/HU Brasil vai realizar, na próxima quarta-feira, 29/04, a palestra: “Animais Peçonhentos – abordagem clínica”. O evento é destinado às equipes assistenciais com perspectiva multiprofissional. O evento é uma ação conjunta do Setor de Gestão da Qualidade, da Unidade de Vigilância em Saúde e do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia.

Sobre a HU Brasil

O HU-Univasf parte da HU Brasil desde 2015. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência.

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