
Um Brasil que deixa mais certezas do que dúvidas.
Dá para definir assim o saldo da vitória sobre o Egito no último teste da Seleção antes da Copa do Mundo. Se faltou pontaria no primeiro tempo e paciência para controlar o jogo no segundo, o que se viu em campo em Cleveland foi um time com variações táticas, volume no campo ofensivo e um leque de peças que oferece para Carlo Ancelotti repertório para a estreia do próximo sábado, diante do Marrocos.
É importante pontuar que o Brasil chegou ao sétimo jogo consecutivo sofrendo gol e a vulnerabilidade da linha defensiva é algo que precisa ser reparado com urgência. No saldo geral, por sua vez, os testes de surtiram efeito e isso só não se refletiu no placar por conta das finalizações ruins na etapa inicial.
Por mais que a perda de Wesley logo no início do jogo tenha sido um baque importante, a Seleção soube de reorganizar e ser dominante no primeiro tempo. Lucas Paquetá e Raphinha funcionaram como meias, e o maior volume no corredor central permitiu que Bruno Guimarães fosse mais próximo do jogador de dinâmica e presença de área que é no Newcastle.
Foi com essa liberdade para avançar que o volante saltou a pressão, roubou a bola e marcou o primeiro gol brasileiro logo aos sete minutos. A sintonia com Paquetá permitia esses avanços, bem como a mobilidade da dupla Vini e Raphinha dava ao time repertório para balançar o jogo de um lado para o outro do ataque em busca de espaços.
O Brasil tinha aproximação, jogo associativo e criava chances claras com praticamente todos os jogadores posicionados no campo ofensivo. Sem a bola, Igor Thiago dava profundidade e permitia que os meio-campistas tivessem mais espaços em um primeiro tempo em que as estatísticas precisam ser utilizadas para exemplificar o domínio mesmo com o 1 a 1 na descida para o intervalo.
Foram nove finalizações brasileiras, quatro na direção do gol, e apenas uma do Egito. O problema é que essa única se transformou em gol de Ziko após erro de Marquinhos, que não teve a cobertura de Casemiro. Alisson pouco pôde fazer diante do atacante adversário.
O susto tonteou, mas não derrubou um Brasil que logo se reorganizou também com a entrada de Danilo no lugar do lesionado Wesley e apresentou volume de jogo por dentro. Vini Júnior, Raphinha (duas vezes) e Igor Thiago (duas vezes) desperdiçaram chances claras de dar maior justiça ao placar no intervalo.
Na volta para o segundo tempo, Ancelotti realizou oito mudanças, deu ímpeto ofensivo, e o Brasil seguiu pressionando o Egito. Deslocado para a esquerda, Raphinha teve Matheus Cunha próximo para tabelar e o auxílio de Douglas Santos. Foi o suficiente para o atacante do Barcelona crescer no jogo.
O relógio marcava apenas sete minutos do segundo tempo e a nova formação já merecia o gol que chegou pelos pés de Endrick, após assistência de Raphinha. O Brasil era soberano e a vantagem se fez justa para um time que tinha ainda Luiz Henrique dando amplitude e volume pela direita.
A medida que o tempo passava, no entanto, o jogou ficou franco, o que incomodou Ancelotti. Em vantagem, o Brasil apostou na transição rápida nas costas da zaga e não controlou o jogo a partir da posse de bola. Foi quando o Egito mais levou perigo. Das quatro finalizações da seleção africana no jogo, três foram na etapa final, mas nada que levasse perigo real ao gol de Weverton.
Se o objetivo de Ancelotti era observar, Douglas Santos e Ibañez deixaram boa impressão. Endrick, por sua vez, foi quem chamou para si os holofotes a uma semana da estreia no Mundial.
Dor de cabeça boa para um Ancelotti que sabe que ainda tem que fazer ajustes defensivos importantes, mas que garante ter ido dormir com mais certezas do que dúvidas para a estreia na Copa, diante de Marrocos, no próximo sábado, às 19h (de Brasília), no estádio de New Jersey.
Por Cahê Mota — Cleveland, EUA/Foto: Kirk Irwin/Getty Images via AFP

