Renan Santos defende que Brasil tenha bomba atômica e minimiza violações sob Bukele

nacional

Candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos defendeu nesta quarta-feira (26) que o Brasil desenvolva armas nucleares como forma de garantir soberania e rejeitou a necessidade de estudos para embasar a iniciativa.

As declarações foram dadas em entrevista à Rede Globo, em programa especial sobre as eleições de 2026 com Renata Vasconcellos e César Tralli, do Jornal Nacional.

Questionado, Renan disse que “não precisa de estudo científico para determinar que uma nação tem que ter força política para se defender”.

O candidato disse que, se o Brasil quer ser reconhecido como quinta maior nação do mundo, precisa discutir soberania e capacidade nuclear. Reconheceu, porém, que o país ainda não tem condições de produzir uma bomba atômica nos próximos anos e fala em uma produção “no médio e longo prazo”.

Ele negou ainda que a medida comprometeria a relação com os Estados Unidos e disse que caberia a Washington sentar com o Brasil para negociar. Comparou também a atual posição do Brasil diante da política externa como um “Zé Carioca do mundo”.

Na segurança pública, o presidenciável reafirmou a proposta de retomar territórios dominados por facções criminosas em até um ano de governo.

Sobre o fracasso da intervenção federal no Rio de Janeiro —que custou R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos e terminou com o crime organizado ampliando o domínio sobre o estado—, Renan disse que o país vive uma “guerra unilateral” e disse ser favorável a uma “declaração de guerra contra o crime organizado”.

O candidato cita como inspiração o modelo de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Questionado sobre denúncias de tortura e desaparecimentos associadas a esse modelo, afirmou não reconhecer os casos citados e disse se tratar de um “clichê da mídia internacional”.

Renan negou se identificar com Bukele, mas justificou falas anteriores sobre “banhos de sangue” afirmando que “o Brasil está implorando” por justiça diante de mortes violentas.

Questionado sobre Arthur do Val, deputado estadual paulista cassado após vazamento de áudios com falas machistas durante viagem à Ucrânia em 2022, Renan classificou o episódio como “muito ruim” e disse que o áudio “não é adequado”, mas atribuiu a cassação também à atuação de Do Val como oposição na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Renan reafirmou que, se eleito, vai descumprir decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) que considerar ilegais, citando como exemplo uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que classificou como “grotesca” — a quebra de sigilo de fontes jornalísticas.

O líder do MBL (Movimento Brasil Livre) manteve tom mais formal em relação à estratégia vista no primeiro debate entre presidenciáveis no último domingo (23), o mais esvaziado desde a redemocratização.

Na ocasião, Renan Santos adotou retórica virulenta, com ofensas aos dois ausentes, a quem chamou de cadelas e criminosos. Ele apareceu com fraldas com os nomes de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), cravando que a ausência de ambos no debate é prova de covardia: “Vocês não estão vindo porque vocês são criminosos”. Lula foi ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por causa dos ataques.

Renan não tem direito a aparecer na propaganda eleitoral na TV, que começa nesta semana. Por isso, adota a estratégia de aproveitar as entrevistas, sabatinas e debates para se apresentar ao eleitor como opção a Lula e a Flávio.

O candidato do Missão é o terceiro a ser entrevistado pelo programa, que começou na segunda-feira (24), com Romeu Zema (Novo). Ronaldo Caiado (PSD) foi entrevistado na terça (25). Também foram convidados outros presidenciáveis que pontuam melhor nas pesquisas. A ordem dos programas foi definida por sorteio.

Na quinta-feira (27), a sabatina é com o presidente Lula. Flávio Bolsonaro falará na sexta-feira (28), seguido por Augusto Cury (Avante) no sábado (29).

No último Datafolha, Renan Santos marcou 4% das intenções de voto no primeiro turno, contra 39% de Lula e 33% de Flávio Bolsonaro. Caiado fez 5%, Romeu Zema, 3% e Augusto Cury, 2%.

Por Luana Lisboa/FolhapressFoto: Manoella Mello/Divulgação/TV Globo