Diálogos que Transformam discute eleições no Brasil e apontam acirramento na disputa Lula e Flávio

Cidades Salvador

O cientista político Antonio Lavareda afirmou, na noite desta segunda-feira (21), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresenta, neste momento da corrida eleitoral de 2026, um desempenho inferior ao registrado no mesmo período da campanha presidencial de 2022.

A avaliação foi apresentada durante mais uma edição do projeto “Diálogos que Transformam”, realizada no Palacete Tirachapéu, em Salvador. Promovido pela Associação Comercial da Bahia (ACB), em parceria com o LIDE Bahia e o Política Livre, o encontro reuniu representantes do meio empresarial e convidados para discutir os cenários políticos da Bahia e do Brasil.

Durante a palestra “O Brasil às vésperas das urnas: uma leitura do cenário político de 2026”, Lavareda analisou o comportamento do eleitorado, as tendências identificadas pelas pesquisas e os fatores que poderão influenciar as disputas estaduais e nacionais.

“O presidente Lula, nesse momento, tem um desempenho inferior ao que tinha nesse mesmo momento em 2022”, declarou. Segundo o especialista, a tendência ainda precisará ser confirmada nas urnas, mas os indicadores atuais apontam para uma posição eleitoral menos favorável ao petista em comparação com o pleito anterior.

“O que pode ser dito é que, neste momento em que nós conversamos, o desempenho do presidente Lula é inferior ao desempenho que ele obtinha, à mesma altura, quatro anos atrás”, acrescentou.

Apesar da avaliação, Lavareda destacou que Lula mantém um índice expressivo de aprovação quando comparado a outros líderes internacionais. De acordo com o cientista político, a média das pesquisas coloca a aprovação do presidente em 48%.

“Isso é muito elevado em padrões internacionais hoje. Poucos governantes no mundo conseguem esse patamar”, observou.

A intensificação da polarização política também esteve entre os principais pontos debatidos durante o jantar. Isabella Suarez alertou para o risco de o eleitorado definir seus votos sobretudo pela rejeição aos adversários, deixando em segundo plano a análise das propostas apresentadas pelos candidatos.

“A gente assiste com preocupação, porque é uma constatação que o ambiente está polarizado. Mas, muito mais importante do que isso, é analisar como o eleitor tem reagido aos fatos e o que tem causado essa polarização”, afirmou.

Segundo ela, o acirramento da disputa pode reduzir o espaço destinado ao debate de questões fundamentais para a população, como educação, segurança pública, equilíbrio fiscal e geração de empregos.

“A preocupação em relação à polarização é que as pessoas passem a escolher pelo que rejeitam e deixem de lado problemas comuns a todos os brasileiros que precisam ser enfrentados”, explicou.

Isabella também ressaltou que a substituição do debate de propostas por uma disputa baseada em narrativas preocupa diretamente o setor produtivo.

“Na medida em que a eleição se torna uma guerra de narrativas e deixa de ser uma apresentação de propostas, evidentemente as pautas econômicas ficam em segundo plano. Para a classe empresarial, a pauta econômica é fundamental, porque significa a nossa existência e também impacta positivamente no desenvolvimento social”, declarou.

Com formação em Sociologia e doutorado em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Antonio Lavareda possui ampla atuação nas áreas de pesquisa de opinião e comportamento eleitoral. O encontro desta segunda-feira integrou a programação do “Diálogos que Transformam”, iniciativa voltada à discussão de temas relevantes para o desenvolvimento econômico, político e social do país.

Por Política Livre/Foto: Divulgação / ACB