Passadas as eleições de 2026, é hora de pensar nas próximas.
E as próximas serão as eleições de 2028. Prefeito e vereadores. Há uma enorme quantidade de munição acumulada por todas as partes e atores políticos que participaram destas eleições.
A Direita se desavergonhou e já bate no peito exibindo-se, algo impensável há 20 anos atrás, quando todos os candidatos ou se apresentavam como esquerda ou omitiam seu posicionamento ideológico. É um fato.
A Esquerda, fustigada pela maciça campanha digital, atordoada passou anos, desde a derrota para Jair Bolsonaro, moldando discursos pouco explícitos, confundindo-se com a social-democracia. Colocava-se mais à direita que os Democratas dos Estados Unidos. O resultado foi a eleição, até 2024, ano da última eleição municipal, de supremacia inconteste de prefeitos-sabão; ora esquerda, ora direita.
Se, em Juazeiro, aqui na Bahia, servisse de parâmetro nacional poderíamos apontar o ano de 2008 como a consolidação concreta da máxima que o Presidente José Sarney tornou eterna: “Governo é como violino. Você o toma com a esquerda e toca com a direita.”
Isaac Carvalho, e este jornal, A Noticia do Vale, o entrevistou em fevereiro de 2008, a primeira das entrevistas em que ele se apresentou como candidato. Estava acompanhado dos dirigentes do PC do B; do Engenheiro Flávio Luiz, um expoente da direita e de alinhava um discurso ainda titubeante de neófito, sem definição clara até do que era pertencer ao PC do B.
Não é preciso contar toda a história. Contra os prognósticos, derrotou a polarização existente entre Joseph e Misael, que vinha desde Arnaldo e Durval Barbosa e até antes e desmanchou décadas de posturas políticas.
Seu primeiro mandato, atravessado por crises entre os integrantes, a maioria de esquerda que foram pouco a pouco defenestrados, foi reconhecido com bom. O segundo mandato, com uma estrutura administrativa consolidada, sem grande parte da esquerda que o elegera a primeira vez, mas ainda grudada na certeza da vitória, foi excepcional.
Atraiu políticos de todas as vertentes já a partir da metade do primeiro mandato. Descoloriu-se paulatinamente do vermelho, mas cumpriu seus compromissos, ou boa parte deles e ajudou a eleger pela segunda vez, ou terceira, os deputados do PC do B que lhe cederam a cabeça de chapa, jogando para debaixo do tapete os frissons ideológicos.
Elegeu, não sei se com facilidade, o candidato que lhe seria fiel até o último suspiro. Que não fez assim, um mandato, mas uma cópia desbotada e inodora de seus governos.
E aí, tudo desandou. A volta ao berço já parecia certa, mas o costume do cachimbo deixa a boca torta ou vitórias seguidas empanam a percepção histórica ou menospreza atores silenciosos.
Tudo começou a conspirar contra ele. A Justiça, que em um caso, exatamente idêntico, dera vitória e legalidade à eleição de um deputado em Goiás, tomou-lhe os mais de 100 mil votos conquistados em 12 anos.
De pop star passou a figura marginal da vida política. Depois, ele mesmo atropelou-se: cometeu o erro, sei se por orgulho ou soberba (algo comum à direita), de fixar-se apenas no próprio umbigo e apresentou sua esposa como a candidata.
Águas passadas e não esquecidas, portanto, não custa registrar que o apoio de Isaac a um dos deputados que caminharam com ele nos mandatos de prefeito teria lhe dado sobrevida e folego. Escolheu o abismo do esquecimento.
O desastre, não irreversível, porque a política é caprichosa, sobreveio com a última eleição para prefeito. Suas decisões erradas, sua volta sem jeito ao berço da direita, a insistência na candidatura e depois no alternativo, contribuiu para o desgaste de todos e mais dele mesmo.
Isaac ainda anda por aí. Um fantasma que perambula entre os sobreviventes da esquerda, agregados que ele sustentou e um discurso já lapida…