Brasil evita seminário sobre energia nuclear apesar de convite do governo Trump

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado pela gestão Donald Trump a participar de um seminário com países latino-americanos sobre cooperação na área de energia nuclear, mas decidiu não enviar um representante.

O evento, denominado First (Infraestrutura Fundamental para o Uso Responsável da Tecnologia de Reatores Modulares Pequenos, na sigla em inglês), foi realizado em Buenos Aires de 2 a 4 de junho.

De acordo com o Departamento de Estado, participaram enviados de Argentina, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Jamaica, México, Paraguai e Peru.

Procurado, o Itamaraty disse que recebeu o convite formal em 13 de maio e que manteve contatos com a embaixada americana sobre o tema. “Em razão de outras atividades internacionais no período e da exiguidade do prazo, não houve tempo hábil para realizar as consultas internas necessárias à coordenação interinstitucional com vistas à eventual participação oficial brasileira no workshop”, disse a pasta, em nota.

A embaixada dos EUA na Argentina disse em comunicado que o seminário é coorganizado pela CNEA (Comissão Nacional de Energía Atômica). Ainda de acordo com a missão diplomática, o evento em Buenos Aires foi a quarta edição anual do seminário First na América Latina.

Além dos latino-americanos, o seminário contou com a presença de especialistas do Canadá, Japão e Reino Unido. A principal autoridade americana a comparecer foi Christopher Yeaw, secretário-assistente do Departamento de Estado para o Escritório de Controle de Armas e Não Proliferação.

“O programa First aproveita a inovação da indústria nuclear para promover a segurança energética global. Ele trabalha com países que estão explorando seu potencial de energia nuclear, incluindo o uso de pequenos reatores modulares, para atender às suas necessidades energéticas, ao mesmo tempo em que cumprem os mais altos padrões de segurança nuclear, proteção física nuclear e não proliferação”, afirma, em nota, a representação americana em Buenos Aires.

O Itamaraty disse que não há registro de participação do Brasil nas edições anteriores da iniciativa First, dos EUA.

O Brasil já demonstrou interesse na tecnologia dos pequenos reatores modulares durante conversas com o governo da Rússia, como revelou a Folha no ano passado. Na ocasião, o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) disse que pequenos reatores poderiam oferecer “soluções seguras e estáveis para regiões de difícil acesso, como a Amazônia”.

Os SMRs são usinas menores de geração de energia atômica, com a vantagem de necessitar de muito menos espaço do que as tradicionais.

O Itamaraty declarou que tratativas do Brasil com outros países “não tiveram qualquer influência na deliberação sobre eventual participação brasileira no workshop regional da iniciativa First”.

O First é uma iniciativa dentro da área de energia nuclear civil no Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio. O chefe da diplomacia americana é crítico dos governos de esquerda na América Latina. Recentemente, ele disse durante uma audiência no Congresso americano que o Brasil não faz parte do grupo de nações consideradas amigáveis.

Por Ricardo Della Coletta/Folhapress/Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo/PR